Na edição de março do Rascunho, uma resenha sobre o novo livro de Vilma Arêas, "Vento Sul".
Eis um trecho do texto
Ao operar no plano simbólico, com efeito, Vilma Arêas ensaia uma literatura que está mais próxima das ficções, na melhor companhia e tradição estabelecida pelo argentino Jorge Luis Borges. Em tempo: não se quer aqui dizer que a autora emula o estilo ou mimetiza o modelo narrativo do escritor argentino (até porque, se assim o fosse, a obra seria apenas uma paródia). O ponto-chave é que o livro de Arêas, de uma só vez, se descola do conto como gênero tradicional, migrando, aí sim, para aquela acepção concebida por Borges.
Leia o texto completo aqui.
Na mesma edição, há uma entrevista com a autora, conduzida por mim e por Rogério Pereira, editor do Rascunho.
No trecho a seguir, Vilma Arêas comenta sobre a instabilidade da classificação dos gêneros (algo que fez com que "Vento Sul" fosse acompanhado da expressão ficções logo na capa):
Definições são sempre convencionais, é difícil ter certeza. Mário de Andrade afirmou que conto é o que o autor chama de conto. Desse ponto de vista, às vezes, escrevo contos, às vezes talvez não. Na verdade, o gênero vem sofrendo mudanças no correr do tempo, principalmente a partir de Tchekhov, que morreu em 1904, com 44 anos. Hoje é considerado no mundo todo, a começar por Virginia Woolf e Katherine Mansfield, que tiveram consciência da profunda revolução no conto tradicional, promovida pelo escritor russo. Mas no início da carreira, vejam só, as revistas devolviam seus trabalhos sob a alegação de que eram desinteressantes
Leia "Vento Forte", a entrevista concedida por Vilma Arêas, aqui.
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1 de março de 2012
Vento Sul, de Vilma Arêas
23 de fevereiro de 2012
Bom dia para nascer
Abaixo, dois trechos de minhas últimas colaborações para o Rascunho. O primeiro é um fragmento da entrevista concedida por Humberto Werneck sobre a obra de Otto Lara Resende, que está sendo reeditada pela Cia das Letras.
"A crônica, como lembrou Antonio Candido, certamente não é um gênero “maior”. Essa constatação, porém, não deveria autorizar o desprezo com que muitos intelectuais, e não só acadêmicos, tratam o gênero. Para dizer como o sambista: pra que tanta panca, doutor? Seria ótimo se em vez disso eles nos dessem, em que gênero fosse, alguma coisa bela e perene como, por exemplo, tantas crônicas de Rubem Braga, um grande escritor que, se não me engano, atravessou toda uma vida sem receber um grande prêmio literário".
Leia a entrevista completa aqui
O outro texto é o ensaio que escrevi a partir dos dois livros lançados pela Companhia das Letras de Otto Lara Resende: "O Rio é tão longe", coletânea de cartas, e "Bom dia para nascer", coletânea de crônicas - by the way, roubei o título de Otto para esse post inaugural.
(...) De fato, temos no Brasil esse gênero sui generis que é a crônica. Talvez pela leveza de sua abordagem, existe uma espécie de consenso em torno da crítica especializada de que se trata de um gênero não somente menor, mas de pouca elaboração estilística. E é verdade que alguns casos podem comprovar esse cenário pouco sofisticado para as letras nacionais. No entanto, em Otto Lara Resende, temos a crônica no seu formato mais preciso, de um texto capaz de seduzir o leitor pela aparente frivolidade, mas que, olhando de perto, está mais relacionado a um tipo de conversa que não se tem mais. Mesmo agora, com o fenômeno das mídias sociais, existe a sensação de que se vive uma nova era da conversação (...)
Leia o ensaio completo aqui
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